Arthur Machen

    Arthur Llewelyn Jones nasceu no ano de 1863 em "Caerleon-on-Usk", no condado de "Gwent", "South Wales" (Gales), mesmo local que foi sede da corte do Rei Arthur. Seu pai foi vigário de uma igrejinha em "Llandewi," cidade perto de Caerleon. A cidadezinha foi domínio romano e, na época de sua infância foram feitas muitas descobertas arqueológicas de estátuas e inscrições. Mesmo seu avô, ao escavar no terreno da igreja, encontrou peças históricas lá. Tudo isso agitou a imaginação do garoto, que ficou fascinado pelo bizarro e sobrenatural. Seu pai o denominou "Machen", por conta do nome de solteira de sua mãe para herdar certo patrimônio. Machen admirava muito o lugar que nasceu, os profundos bosques e intermináveis campinas e a beleza de sua terra galesa de Gwent, fora as raízes romanas, céticas e medievais do lugar formaram os epicentros mais importantes de seus escritos. O mundo da fantasia cercava-o todo o tempo. 

    Em 1874, com 11 anos foi para a "Hereford Cathedral School", para seus estudos. Não pode, porém, seguir para Oxford, como seu pai fizera por causa da pobreza familiar. Posterior a isto foi a Londres onde intentava prestar exames para entrar numa escola médica, mas suspendeu-os.  Em 1881 publicou o poema "Eleusinia", onde trata dos mistérios eleusinos. De regresso a Londres tenta trabalho como jornalista, mas o que consegue é apenas o fracasso, escrevia de noite e dava longos passeios solitários pelas ruas de Londres. Publica, em 1884, "The Anatomy of Tobacco", sem muito sucesso, mas que permitiu trabalhar com o livreiro e editor George Redway, onde exerceu as atividades de redator e catalogador. Começou a viver também como tradutor de francês.

    Em 1887  ele se casou com Amy Hogg, sua esposa até a morte desta (1899), ela mesma também parte da cena social londrina já que era uma extravagante professora de música e tinha paixão por teatro. Ela lhe apresentou o escritor E.A. Waite (membro da "Golden Dawn"), que seria seu melhor amigo, além disto com o tempo viria a conhecer outros grandes escritores como M.P. Shiel e Edgar Jepson. Pouco depois sua mãe morreu o que levou ele a receber uma grande herança dos seus parentes escoceses o que lhe permitiu viver os próximos anos de sua vida muito tranqüilamente se dedicando quase que exclusivamente a literatura.

    Em 1890, publica contos góticos em revistas (mas ainda não de horror) influenciado por Stevenson e, no ano de 1894, o clássico "The Great God Pan", seu primeiro trabalho extenso de sexualidade pagã e horror. Depois deste clássico publicou outros até que o escândalo de Oscar Wilde de certa forma afetou seus escritos e de outros autores do mesmo gênero vindo a publicar obras somente tempos depois de escrevê-las (Wilde, foi acusado de homossexual pelo pai e condenado a dois anos de prisão o que o levou a depressão e posterior libertação a se exilar na França, onde faleceu).

    Na virada do século, várias coisas mudaram na vida de Machen. Com a morte da esposa por câncer depois de sofrer muito, começou uma vida pública onde até foi ator, onde o mesmo confortado pelo amigo A.E. Waite veio a participar, por influencia deste a "Hermetic Order of the Golden Dawn" (da qual participara Blackwood e Yeats, ordem esta criada pelo místico Aleister Crowley) Em 1903 casou-se novamente, com Dorothie Purefoy Hudleston, como sua primeira esposa uma moça de classe média com aspirações artísticas, e, mais importante, começou a se afastar da temática pagã de seus primeiros contos. Elementos críticos, estéticos e políticos estão presentes na sua obra agora. Seu nome, porém, seria sempre associado ao seu trabalho anterior: contos antigos foram republicados, adquirindo certa repercussão. 

    Segue escrevendo e minguando sua situação de herança onde em 1907 publica "The Hill of Dreams", considerada sua melhor obra, mas que teve reconhecimento só muito mais tarde.

    Finalmente em 1910 Machen abandonou seu trabalho como ator e aceitou um posto fixo como jornalista no "London Evening News" de Alfred Harmsworth. Em fevereiro de 1912 nasceu seu primeiro filho, Hilary, seguido de um filha, Janet em 1917. Machen seguia com seus livros e o trabalho não muito amado por ele de jornalista, mas o que o permitiu em 1919 uma casa maior em "St. John´s Wood". Machen transformou o jardim da nova casa em um centro de reunião literária e artística freqüentado por muitos intelectuais.

    Uma das tendências que ele adota na segunda década do século é a de contos que usam conceitos do cristianismo celta. É nessa tendência que ele escreve "The Bowmen" (subintitulado "The Angels of Mons"), uma estória da Primeira Guerra Mundial, sobre uma batalha onde os soldados ingleses, cercados, são salvos por São Jorge e seus anjos. Seria um conto inspirador não fossem as dezenas de cartas escritas por soldados que juraram que o fato realmente ocorrera. Em 26 de agosto de 1914, um destacamento inglês foi cercado por alemães. A proporção era de três para um, a favor dos alemães. Segundo dizem, o destacamento foi salvo então pelos anjos liderados por São Jorge, que apareceram numa nuvem, pondo os alemães para fugir. O conto de Machen foi publicado em setembro de 1914, quando os sobreviventes da batalha ainda estavam na França e virou uma mitologia.

     Em 1921 se demite do trabalho ocasionando alguns problemas econômicos, entretanto o resto do anos vinte foi de sucesso para ele que ampliou seu mercado de livros, além de ter seu talento reconhecido na América do Norte.

    Já em 1926 vê suas vendas caíram o que o obrigou a trabalhos mais baixos dentro do setor livreiro, ocasionando outra série de problemas econômicos. Mas aos oitenta anos, em 1943 que recebeu grande reconhecimento, nomes como  Max Beerbohm, T. S. Eliot, Bernard Shaw, Walter de la Mare, Algernon Blackwood e John Masefield frisaram o talento de Machen. Viveu mais cinco anos tranqüilos e de grande glória, falecendo em 1947 em "Beaconsfield", "Buckinghamshire", pouco depois de sua segunda esposa, deixando dois filhos.