Ambrose Bierce

Da vida de Ambrose Gwinett Bierce pode-se dizer qualquer coisa, exceto que foi uma vida sossegada e aborrecida. Sua vida jornalística e seus trabalhos sobre o sobrenatural inspiraram o jovem Lovecraft de forma decisiva. É um ícone entre os escritores do horror e sobrenatural pela riqueza de conteúdo que são características em suas obras. Se fomos fazer uma lista de grandes autores, entre os séculos XIX e XX, independente do gênero literário de cada um, com certeza seu nome não poderia estar de fora.
Nasceu em 1842 em "Meigs County" (Ohio). Aos 5 anos viu seu pai ser enforcando, mais tarde sua mãe abandonou ele e seus irmãos. Aos treze anos se iniciou sexualmente com uma mulher que havia passado dos setenta; participou da guerra da secessão onde se feriu com gravidade; foi jornalista e escritor; a mulher pelo qual ele havia abandonado sua esposa o abandonou; um de seus filhos morreu por overdose de cocaína, e outro de seus filhos numa briga de rua - isto só apenas para dizer o quanto foi agitada sua vida.
Bierce prestou seus serviços ao exercito da União durante a guerra civil americana (1861-1865) e dirigiu uma expedição militar ao oeste. Bierce se estabeleceu em São Francisco, onde escreveu breves e engenhosos artigos políticos e uma coluna para o periódico "News-Letter". Em torno de 1868 tornou-se seu editor. Em 1871 se casa Mary Ellen (“Mollie”) Day, uma dama da sociedade e se muda para Londres, vivendo um dos melhores momentos de sua vida. Criou o pseudônimo de "Dod Grile", escrevendo artigos e contos para as revista "Fun" e "Figaro", que posteriormente, já em 1874, republicou uma compilação sua.
Encorajou vários talentos entre eles o poeta George Sterling e o contista W.C. Morrow.
No começo de 1875 sua esposa retorna a São Francisco e Bierce relutante só volta no final daquele ano antes do nascimento de seu terceiro filho. Em 1877 ele é nomeado editor do "Argonaut" ficando popular por sua coluna "Prattle". Depois de um período pequeno que tentou a sorte numa mineira falida na Dakota do Sul, Bierce retornou a São Francisco para trabalhar no "UASP" onde retomou sua famosa coluna.
Em 1887 começa uma tumultuada relação com o editor William Randoph Hearst unindo-se ao "San Francisco Examiner". No ano seguinte descobre cartas de um europeu admirador de sua esposa e se separa em seguida. Já em 1889 Day, seu filho e orgulho de sua vida foi assassinado em uma disputa por uma mulher.
Apesar de tudo segue com seu trabalho de jornalista e começa a publicar na América e é o único a se opor aos interesses ferroviários, juntando empresários contra o sistema o que de certa forma contribuiu para o colapso do sistema anos mais tarde.
O começo do século não foi melhor para Bierce que vê seu filho Leigh morrer por conta do vício. Em 1904 Mollie consegue o divorcio, mas no ano seguinte morre antes que a burocracia fosse finalizada.
Depois da morte de Mollie em 1905 segue desgostoso, mas publicando livros e mais livros.
Em 1913, aos 71 anos, partiu para o México para participar da Revolução Mexicana e não mais voltou sendo a data precisa de sua morte ainda hoje indeterminada. Dizem que o mesmo foi fuzilado pelo exército de Pancho Villa, ademais contam-se lendas e histórias fantasiosas sobre sua morte.