Amigos
Foram muitos os amigos de Lovecraft ao longo de sua vastíssima correspondência. Selecionamos alguma das biografias de seus amigos mais próximos, além de personalidades marcantes ao longo de sua vida e que juntos desenvolveram histórias de terror cósmico-mitológico formando o chamado "Círculo de Lovecraft". Leia ao lado da foto uma breve descrição biográfica:
Robert
E[rvin] Howard (1906-1936)
Grande correspondente e amigo de Lovecraft, embora bem mais novo que o mesmo. Nasceu e viveu quase toda sua vida no Texas, principalmente em Cross Plain. Tinha em Lovecraft e Clark Ashton Smith seus grandes amigos que escreviam seus magníficos contos para a Weird Tales. Sua principal criação foi Conan - o Bárbaro, mas também escreveu sobre velho-oeste, histórias orientais algum relato erótico e até boxe (Howard era conhecido por sua grande força física, igual a seus personagens e era aficionado por este esporte). Bob, como o conheciam, era amante da natureza e dos animais e embora seu jeito não aparentasse, se definia como uma pessoa muito sensível. Sempre viveu em crise econômica (próprio dos anos pré-depressão), e com velha mãe doente entrou em desespero falando em suicídio cada vez que ela piorava, pois recebia parcelado uma dívida de US$ 800 da Weird Tales de contos publicados e a publicar, embora o pai médico pouco podia ajudar, pois seu pagamento era em itens por seu trabalho. Um dia antes da tragédia perguntou ao Dr. Dill, médico e amigo do seu pai, se uma pessoa poderia morrer com um tiro na cabeça... havia comprado três sepulturas pouco antes de morrer, feito um pequeno inventário e ido perguntar sobre a mãe doente a enfermeira que falou negativamente sobre sua recuperação. Parece que foi a linha final, ele subiu no andar de cima da casa, onde costumava datilografar seus contos e escreveu:
All fled, all done
So lift me on the pyre
The feast is over
And the lamps expire.
"Todos fugiram, tudo está terminado!
Então ergam-me até a pira;
o festim findou-se
e as luzes se apagaram"
Com a idade de 30 anos ele desceu até a garagem e em dentro de um Chevy 1935 atirou contra a cabeça com um revolver Colt do pai, usando uma munição calibre .380 emprestada de um amigo que nada sabia de sua intenção premeditada. O pai, o Dr. Dill e a empregada da casa (por conta da mãe não poder mais fazer os trabalhos domésticos), praticamente presenciaram o suicídio. O pai e o outro médico tiraram Bob Howard do carro e o levaram para um cama. Ele morreu oito horas depois do disparo e sua mãe trinta e uma horas após. Ambos foram enterrados juntos. Isto foi o que o pai de Bob Howard informou Lovecraft por uma carta sobre o ocorrido dizendo também que ele vinha com esta idéia um ano antes quando sua mãe piorara. Este fato deixou Lovecraft triste e depressivo por um bom tempo.
August
[William] Derleth (1909-1971) e Donald Wandrei (1908-1987)
Ambos escritores e correspondentes de Lovecraft. Wandrei, por sua vez correspondia-se desde 1924 com Clark A. Smith o que o fez amigo de Lovecraft (que constantemente dava a ele conselhos literários). Também durante a vida de Lovecraft seu amigo de Wiscosin August Derleth (correspondente de 1926 a 1937), reconheceu seu trabalho, tentou oferecê-lo as editoras, mas sem sucesso. Em 1927 Wandrei vai a Nova York na Weird Tales tentar oferecer ao editor Fansmouth Wright os escritos de Lovecraft e aproveita para conhecer Lovecraft e especialmente Samuel Loveman. Chega a Providence em 1929 ficando alguns dias por lá vindo também a conhecer Frank Belknap Long e James F. Morton. Meses depois Lovecraft o põe em contato com Derleth, numa relação de amizade que dura até a morte de Derleth em 1971. Wandrey também visitou Providence em 1932. Após a morte de Lovecraft ambos tentam levar as editoras sua obra mais sem sucesso, por isto criaram uma própria editora a Arkham House que tão bem iniciou a fama de Lovecraft. Durante este período, principalmente Derleth divulga muito a obra de Lovecraft e também em outros países, mas foi criticado quanto a sua sistematização do mito de Cthulhu. Wandrei por sua vez é o grande responsável pela idéia e esforços de se publicar as cartas de Lovecraft, um imenso trabalho que foi o resultante lançamento tardio das Selected Letters (1965-76). Em 1971 após a morte de Derleth, Wandrei entra numa briga de herança com os herdeiros do amigo o que o faz se afastar da editora.
Robert
[Albert] Bloch (1917-1994)
Bloch nasceu em Chicago, Illinois. Na idade de 9 anos assistiu seu primeiro filme de terror "O Fantasma da Opera" o que o fez dormir com a luz acessa. Daí adquiriu seu gosto pelo gênero de horror. A Weird Tales era sua revista favorita e seu primeiro texto foi uma paródia de Lovecraft intitulada "The Thing". Depois de concluir o ensino médio na idade de 17 anos ele comprou uma máquina de escrever usada e vendeu seu primeiro conto a Weird Tales, intitulado: "The Feast in the Abbey". Sempre foi admirador de Lovecraft, mas nunca o conheceu em vida. Sua brilhante carreira assumiu outras forma depois da morte de HPL, embora continuasse com a temática de Cthulhu. Ficou muito famoso com a criação Norman Bates em "Psicosis" (Psycho) de 1959, com a famosa adaptação de Alfred Hitchcock do livro e suas seqüências. Durante sua longa carreira de mais de dez décadas ganhou vários prêmios e foi reconhecido como um grande escritor de sua época.
Robert
H[ayward] Barlow (1918-1951)
Correspondente e admirador de Lovecraft, apenas não admitindo que quando começou a corresponder com ele tinha apenas 13 anos. Foi um grande amigo. Publicou muitos trabalhos cedo e por indicação de Lovecraft se filiou a NAPA. Em 1934 Lovecraft foi a Florida no verão na casa de campo da família Barlow em De Land, passar um mês e meio, onde ambos produziram muitas coisas. Novamente a convite de Barlow no verão seguinte seguinte Lovecraft retorna a De Land e fica desta vez dois meses e meio. Na mesma idéia, Barlow vai a Providence no verão seguinte e ambos escrevem "The Night Ocean", sendo que ao que parece o conto tem mais de Barlow do que Lovecraft, mas isto não é muito certo afirmar. Após o falecimento de Lovecraft vai a Providence e se encarrega das questões legais da herança e manuscritos (a herdeira legal foi sua tia Annie E. P. Gamwell). Barlow reúne os materiais de Lovecraft e leva-os a Brown University depositando-os lá, motivo pelo qual Wandrei não entendeu e o chamou de "ladrão" das obras. Barlow também é um dos grandes responsáveis por a obra de Lovecraft chegar até nós, pois datilografou muito de seus originais (coisa que Lovecraft detestava fazer). Colaborou com a primeira biografia séria do autor de T. Lanay e William H. Evans em 1943. Neste mesmo ano vai dar aulas de antropologia na Universidade do México, onde é muito reconhecido e publica vários livros a respeito. Entretanto em 1951 se suicida num hotel da Cidade do México por conta de uma chantagem que fizeram algumas pessoas que descobriram ser ele homossexual (na época que vivia era terrível se a sociedade soubesse).
Henry
Kuttner (1914-1958)
Kuttner conheceu Lovecraft através de Robert Bloch e foi um dos jovens escritores tutelados pelo mestre (a exemplo do próprio Bloch). Escreveu para ele pela primeira vez em meados de 1936. Casou-se com Catherine Lucille Moore (conhecida de Lovecraft através de R.H. Barlow), e por anos escreveu histórias de terror e fantasia. Na década de 1950 por certo aborrecimento deixa a literatura fantástica por um tempo e junto com a esposa se gradua em psicologia na Sourthen California University. Pretendendo fazer um doutorado, morre repentinamente dormindo em 1958, talvez por conta de um ataque cardíaco. Sua esposa casou-se novamente e com um médico vivendo mais três décadas, mas sem escrever nada apenas mantendo contato com os fãs de ficção cientifica, quando em 1981 numa convenção sobre ficção científica em Denver a encheram de honras. Morreu com complicações de Alkheimer em 1987. Em 2007 filmaram 'Minzy- A Chave do Universo', de autoria dele e da esposa C.L. Moore sob uso de pseudônimo, como era comum eles fazerem.

Frank Belknap Long (1901-1994)
Escritor, grande amigo (talvez mais amigo ainda que Robert E. Howard) e um dos correspondentes mais antigos de Lovecraft, desde a época que eram adolescentes, se converteu em um dos maiores nomes da literatura americana de ficção fantástica tendo em 1987 ganhado o prêmio Bram Stocker Award. Ativo membro da UAPA (United Amateur Press Association) aonde publicou o conto "The Eye Above the Mantel", que chamou atenção de Lovecraft e onde começou esta longa amizade. Long, norvaiorquino durante toda vida, freqüentou brevemente a universidade da cidade, pois teve uma série de problemas médicos o que o levou a resolver dedicar-se especificamente a escrita profissional. Contribuiu muito para Weird Tales e foi um dos primeiros escritores a contribuir com o mito de Cthulhu de Lovecraft, e no declínio das pulp adaptou-se ao mercado editorial publicando uma coisa aqui outra acolá. Escreveu um biografia de HP Lovecraft: 'Dreamer on the Night Side'. Casou-se em 1960 com Lyda Arco, com quem viveu até sua morte, não tendo herdeiros. Long faleceu velho em 1994 sendo enterrado no cemitério Woodlawn de Nova York empobrecido, mesmo com a longa carreira literária. Seus fãs pagaram as despesas funerárias num valor de US$ 3000.
Clark
Ashton Smith (1893-1961)
Dos três "Mosqueteiros da Weird Tales" (Lovecraft, Robert Howard e Smith - dizem que embora fosse assíduos correspondentes nunca se conheceram), Clark A. Smith foi o único com reconhecimento em vida, diferentemente de hoje em dia, embora reconhecido talento pela crítica é desconhecido do grande público. Aqui classifiquei-o como amigo/correspondente de Lovecraft, mas bem poderia ser classificado como seu precursor, dada a extrema admiração de Lovecraft por ele. Nasceu em Long Valley - Califórnia. De saúde frágil e a família que enfrentava pobreza, deixou de estudar cedo e catava frutas ou trabalhava como lenhador para tentar apaziguar os problemas financeiros. Auto definiu-se como poeta. Com seus poemas no magazine "The Black Cat " em 1910 foi animado por amigos a entrar em contato com seu ídolo George Sterling ("discípulo" de Ambrose Bierce) que reconheceu seu talento e o tutelou, vindo a ser conhecido através deste e de sua escrita original. Por esta época aprendeu francês e traduziu Baudelaire para o Inglês, já que Sterling compunha poesias no estilo que Baudelaire fazia parte. Mesmo com a carreira literária fazia bicos de lenhador para garantir sua renda, devido aos problemas depressão americana. Após 1935 e 1937 com as mortes de Lovecraft, sua mãe e seu pai e também por esta data o suicido de Sterling deixou de escrever prolificamente como antes, dedicando-se mais a escultura e pintura onírica (que tanto admirava Lovecraft). Casou-se em 1954 com Carolyn Jones Dorman. Em 1961 trabalhando como jardineiro sofreu um enfarto, recuperou-se, mas faleceu meses depois.
Rheinhart
Kleiner (1892–1949)
Poeta da impressa amadora, contista e um dos mais antigos correspondentes de Lovecraft. Publicou o primeiro trabalho crítico a poesia de Lovecraft que se conhece: "A Note on Howard P. Lovecraft’s Verse" (United Amateur, Março de 1919). Se conheceram pessoalmente em julho de 1916 quando Kleiner visitou Providence, visitas que foram retribuídas quando Lovecraft morou em Nova York, por esta ocasião visitaram ambos a Igreja Holandesa Reformada do Brooklyn, visita esta que inspirou o conto "The Hound" e neste conto Kleiner é referido com o personagem St. John. Nesta época Kleiner trabalhava na Fairbanks Scales Co., empresa que ainda existe em 2009. Ambos faziam parte nesta cidade do "Kalem Club" (um clube literário em que Lovecraft não criou, mas foi líder, incluía nomes como o próprio Kleiner, Everett McNeil e James F. Morton. Quando Lovecraft chegou introduziu novos membros ao clube, especialmente Frank Belknap Long, George Kirk e Arthur Leeds). Após a partida de Lovecraft de trem a Providence perdeu contato com o mesmo, só restabelecendo em 1936-37. Com a morte de Lovecraft Kleiner editou suas muitas cartas sob o título: "By Post from Providence". Embora poeta de grande talento não viu muita obra sua ser publicada em vida.
Outras Personalidades:
Harry K[ern] Brobst: Nasceu em 1909 este amigo de Lovecraft no período posterior a 1932; admirador das histórias da Weird Tales, através de um pedido ao editor Farnsworth Wrigth entrou em contato por carta com Lovecraft e foi cordialmente respondido, começando uma grande amizade. Brobst foi assistido em 1932 pela psiquiatria do Hospital Butler em Providence e por conta disto sempre acompanhava Lovecraft nas suas viagens. Em 1933 acompanhou Lovecraft em sua recepção a E. Hoffmann Price. Brobst afirma que Lovecraft chegou a trabalhar brevemente como vendedor de entradas de um cinema em Providence e que ficou horrorizado quando uma conheçida, que havia visitado a Alemanha, lhe contou sobre os horrores nazistas que vira. Brobst visitou constantemente Lovecraft nas etapas finais de sua vida neste mesmo hospital. Escreveu cartas a R.H. Barlow comentado o caso de Lovecraft e dizia que quando questionado o mesmo dizia "As vezes a dor é insuportável". Brobst e sua mulher organizaram o funeral de Lovecraft. Posteriormente foi acadêmico da Brown University e de outras instituições. Publicou um livro de memórias "An Interview with Harry K. Brobst" .
Dr. Franklin Chase Clark: Aqui está alguém muito querido por
Lovecraft, e talvez desconhecido para os leitores o Sr.
Clark nasceu em 1847 e foi marido de
Lillian D[elora] Phillips Clark, tia de Lovecraft
(casaram-se em 10 de abril de 1902). Foi um
grande médico e cientista, tendo se graduado na Brown University
(1869) e se especializado em Nova York e
regressado a Providence, onde trabalhava no Hospital de Rhode Island
e como médico forense do Dpto. de Polícia, além de grande autor de
livros técnicos, artigos e ensaios, sendo muitos deles guardados na
Brown University. Com a morte do pai e do
avô do jovem Lovecraft, ele meio que se converteu em seu pai. Disse HPL
(S. L. 1.38) que suas primeiras prosas e versos se viram
beneficiadas pelos conselhos do Dr. Clark. Faleceu em 1915 de
hemorragia cerebral e Mal de Bright crônico. A ele Lovecraft homenageou em “An Elegy
on Franklin Chase Clark, M. D.” (Publicada no Evening News de
Prividence em 29 de Abril de 1915). O Dr. Eliu Whipple de “A Casa
Assombrada" (1924), o Dr. Gamell Angell do “O Chamado de Cthulhu” e o
Dr. Marinus Bicknell Willet de “O Caso de Charles Dexter Ward”
(1927), provavelmente estão inspirados no Dr. Clark; o que também
pode ser o caso do Dr. Henry Armitage de “O Horror de Duwich” (1928)
e o Dr. Nathaniel Wingate Peaslee do “A Noite dos Tempos” (1934-35).
W. Paul Cook: Nasceu em 1881 e foi na vida adulta editor presidente da UAPA e também diretor da NAPA
(rival). Foi, junto a amigos grande incentivador de Lovecraft para
que reiniciasse sua escrita com labor em 1917. Publicou alguns
títulos de Lovecraft e intentou publicar outros que por força da
morte de sua esposa e problemas financeiros não deram certo. Foi um dos poucos que
acreditaram no seu talento.
Cook escreveu, “Howard P. Lovecraft’s Fiction” (The Vagrant,
Novembro 1919) como prefacio a “Dagon” – que teve a honra de ser o
primeiro trabalho crítico a obra de Lovecraft. Cook publica
posteriormente grande parte de seu trabalho inicial em The
Vagrant. No fim de 1925, pede a Lovecraft que escreva sobre a
literatura sobrenatural para The Recluse. O projeto inicial
foi ampliando-se até chegar em “O horror sobrenatural na literatura”
(1927). Visitando a Cook em 1928 em
Athol,
Massachussets,
HPL absorveu muitos relatos e lendas que usou em “O Horror de
Dunwich”. Em 1940, Cook escreveu In Memoriam: Howard Phillips
Lovecraft, considerada a obra mais emotiva sobre Lovecraft. Seu
trabalho “A Plea for Lovecraft” (uma súplica por Lovecraft)
publicada em The Ghost em maio de 1945, falava da imagem
distorcida sobre Lovecraft que, segundo ele, passava a Arkham House.
Faleceu em 1948.
Clifford M[artin] Eddy Jr.: Nasceu em 1896 este escritor e amigo de Lovecraft nativo de Providence,
também membro dos clubes amadores de literatura. Dava longos
passeios inspiradores com Lovecraft. Escreveu uma breve memória
intitulada:
“Walks with H. P. Lovecraft” (Passeios
com H. P. Lovecraft). Faleceu em 1971.
E[dgar] Hoffman Price: Nasceu em 1898 este escritor pulp,
colaborador
e correspondente de Lovecraft entre 1932-37 ao qual Lovecraft muito
tinha respeito e um dos poucos que ele fez questão de manter contato sempre. Conheçeu
pessoalmente Lovecraft em Nova Orleans, numa de suas viagens, por conta de um telegrama de
Robert E. Howard que dizia que o mesmo se encontrava nesta cidade. Lovecraft passou pelo menos uma semana em Nova Orleans, a maior parte do tempo em companhia de Price. Price por sua
vez visitou Lovecraft em 1933 no apto. de Lovecraft nos meses de
junho e julho. Escreveu uma continuação ao conto de Lovecraft: "A
Chave de Prata", intitulado "O Senhor da Ilusão", que Lovecraft
revisou exaustivamente denominando finalmente como "Através dos
Portais da Chave de Prata". Loveman mesmo com a morte de Lovecraft continuou no
mercado das pulp, só adotando tendência a romances no posterior
fim da época das pulps magazines.
Price escreveu
uma memória sobre Lovecraft: The Man Who Was Lovecraft
(incluída no volume Cats), outras curtas como: The Sage
of College Street (Amateur Correspondent, Maio-Junho de 1937),
H. P. Lovecraft the Man (Diversifier, Maio de 1976), além
de várias análises astrológicas de Lovecraft. Faleceu em 1989.
Winifred V[irginia] Jackson: Nasceu em 1876 esta escritora e amiga de Lovecraft na Imprensa
Amadora e que
muitos estudiosos dizem que teve um relacionamento com ele, devido a
alguns encontros literários antes do casamento de Lovecraft. Não se
tem muita informação a respeito. Faleceu em 1959.
Samuel Loveman: Nasceu em 1889 este poeta,
dramaturgo e grande amigo de Lovecraft. Loveman fazia parte do "Kalem
Club". Visitou Providence em 1929, visitas seguidas de excursões a
Boston, Salem e Marblehead. Após a morte de Lovecraft
o mesmo se revoltou furiosamente contra posturas dele com relação ao
anti-semitismo (algo típico a época), que descobriu ao se
corresponder com Sonia Greene. Destruiu, acredita-se cerca de 500 cartas
de ambos (o mesmos que fez a esposa de Lovecraft, quando não fez
menção em voltar o relacionamento, certa vez). Em um artigo
revoltante (“Of Gold and Sawdust” publicado em “The Occult
Lovecraft”, 1975), o acusa de racista e hipócrita. Faleceu em 1976.
Everett McNeil: Nasceu em 1862 este autor de livros infantis, membro do "Karem
Club" de Nova York. Foi um dos primeiros a recomendar que
Lovecraft escrevesse para a Weird Tales. Como vivia num dos piores
lugares de N.Y. muitos membros do clube evitavam reuniões na casa
dele, mas Lovecraft nunca faltou. Em 1929, com saúde precária
intenta mudar para Tacoma-Washington, para viver com a irmã, mas
morre antes de chegar. Em
uma carta a James F. Morton, Lovecraft escreve uma emocionada
memória a McNeil. E segundo consta, o verso: "Pombas
Mensageiras"
dos "Fungos de Yuggoth" é sobre sua morte e dos lugares
precários que vivia em pobreza. Lovecraft sempre esteve convencido
que sua mais que extrema pobreza se devia a acordos exploratórios
que fazia o editor de McNeil com ele.
Maurice Winter Moe: Nasceu em 1882 este escritor amador e
professor universitário, amigo de Lovecraft, ensinava inglês na
"Appleton" (Wisconsin) e posterior na "West Division School of
Milwaukee". Conhecia Lovecraft desde 1914 e mantiveram copiosa
correspondência durante toda a vida de Lovecraft. Formaram círculos
literários com outros autores algumas vezes ao longo deste tempo. Em um círculo literário de seus
alunos da High School de Appleton, Lovecraft em 1917 conheçe Alfred
Galpin (um de seus correspondentes, vice presidente da UAPA em
1917). A Moe dedica vários de seus trabalhos, entre eles o poema “On
the return of Maurice Winter Moe, Esq., to the Pedagogical Profesión”.
No conto "O Inominável", é claro no personagem Joel Manton a
inspiração da figura de Moe. O viu pela primeira vez em 10 de agosto
de 1923 quando Moe visita a Providence, mais tarde foi a Boston de
ônibus onde conheceu Moe e sua família. No dia seguinte HPL leva Moe,
Albert A. Sandusky e Edward H. Cole a uma excursão a Marblehead numa
caminhada de mais de três horas em que o grupo não agüenta a resolve
voltar com Lovecraft. Durante os treze anos seguintes, suas relações
se basearam principalmente em correspondências. HPL adquiriu o
costume de fazer minuciosos e longos relatos dos lugares que
visitava (os ensaios “Observations of several parts of America”
[1928] e “Travels in the Provinces of America” [1929] são ótimos
exemplos. Por volta do fim de 1934 Moe pediu a Lovecraft a
contribuição de um artigo seu para um trabalho com seus alunos, ao
que Lovecraft escreveu com muita honra um artigo sobre a influência
da arquitetura romana na americana. Lovecraft achou que o manuscrito
havia se perdido, porém uma transcrição foi encontrada e publicada
pela Arkham House anos depois. Moe visitou Providence pela última
vez em 1936 aproveitando que seu filho, por conta de questões
profissionais, se encontrava por lá. Após a morte de Lovecraft
publicou a memória “Howard Phillips Lovecraft: The Sage of
Providence” (O-Wash-Ta-Nong 1937). Faleceu em 1940.
James F[erdinad]. Morton Jr.: Nasceu em 1870 este amigo de Lovecraft e
membro do "Kalem Club", graduado em Harwad em 1892. Em 1896-97 foi
nomeado presidente na NAPA. Conheceu Lovecraf pela primeira vez
quando defendeu
Charles D. Isaacson dos ataques
de Lovecraft sobre uma discussão político-literária na NAPA.
Lovecraft simpatizou com o mesmo mantendo intensa correspondência
vindo a conhecer ele pessoalmente em 1922 em Nova York onde foram
membros do "Kalem Club". Visitou Lovecraft diversas vezes
entre 1923-24 em Providence. Em 1924 se embrenharam num negócio de
revisão que nasceu morto "The Crafton Revision Service". Porém em
1925 Morton consegue uma ótima posição de diretor do museu Paterson
(Nova Jersey), emprego que permaneceu até o fim dos seus dias e tentou levar Lovecraft para lá
como seu assistente, mas sem sucesso.
Lovecraft visitou Morton em Paterson e encontrou uma cidade
desagradável. Podemos ver parte disso em "O Chamado de Cthulhu"
quando o narrador fala que encontrava-se visitando um amigo
estudioso em Paterson (Nova Jersey), geólogo e diretor do museu
local. Após a morte de Lovecraft escreveu uma breve memória "A Few Memories" (Olympian, Outono de 1940).
Faleceu em 1941.