Amigos
Foram muitos os correspondentes de Lovecraft ao longo de sua vastíssima correspondência. Selecionamos alguma das biografias de seus amigos mais próximos e que juntos desenvolveram histórias de terror cósmico-mitológico formando o chamado "Círculo de Lovecraft" ao longo destas cartas; além de personagens marcantes ao longo de sua vida. Leia ao lado da foto a breve descrição biográfica:
Robert
E[rvin] Howard (1906-1936)
Grande correspondente e amigo de Lovecraft, embora bem mais novo que o mesmo. Nasceu e viveu quase toda sua vida no Texas. Tinha em Lovecraft e Clark Asthon Smith seus grandes amigos que escreviam seus magníficos contos para a Weird Tales. Sua principal criação foi Conan - o Bárbaro, mas também escreveu sobre velho-oeste, algum relato erótico e até boxe (Howard era conhecido por sua grande força física). Sempre viveu em crise econômica (próprio dos anos pré-depressão), e com a mãe doente entrou em desespero falando em suicídio cada vez que ela piorava, pois recebia parcelado uma dívida de US$ 800 da Weird Tales, embora o pai médico pouco podia ajudar, pois seu pagamento era em espécie por seu trabalho. Um dia em casa no carro atirou contra a cabeça com o revolver Colt do pai e uma munição calibre .380 emprestada de um amigo. O pai, um amigo dele e a empregada da casa praticamente presenciaram o suicídio. O pai de Howard informou Lovecraft por uma carta sobre o ocorrido, o que deixou Lovecraft triste e depressivo por um bom tempo.
August
[William] Derleth (1909-1971) e Donald Wandrei (1908-1987)
Ambos correspondentes de Lovecraft. Wandrei, por sua vez correspondia-se desde 1924 com Clark A. Smith o que o fez amigo de Lovecraft (que constantemente dava a ele conselhos literários). Também durante a vida de HPL seu amigo Derleth reconheceu seu trabalho, tentou oferecê-lo as editoras, mas sem sucesso. Em 1927 Wandrei vai a Nova York na Weird Tales tentar oferecer ao editor Fansmouth Wright os escritos de HPL e aproveita para conhecer Lovecraft e especialmente Samuel Loveman. Chega a Providence em 1929 ficando dias por lá vindo também a conhecer Frank Belknap Long e James F. Morton. Meses depois Lovecraft o põe em contato com Derleth, numa relação de amizade que dura até a morte de Derleth. Após a morte de HPL ambos tentam levar as editoras sua obra mais sem sucesso, por isto criaram uma própria editora a Arkham House que tão bem fez a fama de Lovecraft. Durante este período, principalmente Derleth divulga muito a obra de Lovecraft, mas foi criticado quanto a sua sistematização do mito de Cthulhu. Wandrei por sua vez é o grande responsável pela idéia e esforços de se publicar as cartas de Lovecraft. Em 1971 após a morte de Derleth, Wandrei entra numa briga de herança com os herdeiros do amigo o que o faz se afastar da editora.
Robert
[Albert] Bloch (1917-1994)
Bloch nasceu em Chicago, Illinois. Na idade de 9 anos assistiu seu primeiro filme de terror "O Fantasma da Opera" o que o fez dormir com a luz acessa. Daí adquiriu seu gosto pelo gênero de horror. A Weird Tales era sua revista favorita e seu primeiro texto foi uma paródia de Lovecraft. Depois de concluir o ensino médio comprou uma máquina de escrever e vendeu seu primeiro conto a Weird Tales. Sempre foi admirador de Lovecraft, mas nunca o conheceu em vida. Sua brilhante carreira assumiu outras forma depois da morte de HPL, embora continuasse com a temática de Cthulhu. Ficou muito famoso com a criação Norman Bates em "Psicosis" (1959), com a perfeita adaptação de Alfred Hitchcock do livro.
Robert
H[ayward] Barlow (1918-1951)
Correspondente e admirador de Lovecraft, apenas não admitindo que quando começou a corresponder com ele tinha apenas 3 anos. Foi um grande amigo. Em 1934 Lovecraft foi a Florida na casa de campo da família Barlow passar um mês e meio, onde ambos produziram muitas coisas. Após o falecimento de Lovecraft vai a Providence e se encarrega das questões legais da herança e manuscritos (a herdeira legal foi sua tia Annie E. P. Gamwell). Barlow reúne os materiais de HPL e leva-os a Brown University depositando-os lá, motivo pelo qual Wandrei não entendeu e o chamou de "ladrão" das obras. Colaborou com a primeira biografia séria do autor de T. Lanay e William H. Evans en 1943. Neste mesmo ano vai dar aulas de antropologia na Universidade do México, onde é muito reconhecido. Entretanto em 1951 se suicida num hotel da Cidade do México por conta de uma chantagem que fizeram pessoas que descobriram ser ele homossexual (na época que vivia era terrível se a sociedade soubesse).
Henry
Kuttner (1914-1958)
Kuttner conheceu Lovecraft através de Robert Bloch e foi um dos jovens escritores tutelados pelo mestre (a exemplo do próprio Bloch). Casou-se com C.L. Moore (conhecida de Lovecraft através de R.H. Barlow [e que falou que Lovecraft era recluso?]), e por anos escreveu histórias de terror e fantasia. Na década de 50 por certo aborrecimento deixa a literatura fantástica por um tempo e junto com a esposa se gradua em psicologia. Pretendendo fazer um doutorado, morre repentinamente dormindo em 1958. Sua esposa casou-se novamente e com um médico vivendo mais três décadas, mas sem escrever nada, quando em 1981 numa convenção sobre ficção científica em Denver a encheram de honras. Morreu com complicações de Alkheimer em 1987.

Frank Belknap Long (1901-1994)
Escritor, grande amigo (talvez mais amigo ainda que Robert E. Howard) e um dos correspondentes mais antigos de Lovecraft, se converteu em um dos maiores nomes da literatura americana de ficção fantástica. Ativo membro da UAPA (United Amateur Press Association) Long, norvaiorquino durante toda vida, freqüentou brevemente a universidade da cidade, pois teve uma série de problemas médicos o que o levou a resolver dedicar-se especificamente a escrita profissional. Contribuiu muito para Weird Tales e o mito de Cthulhu de Lovecraft, e no declínio das pulp adaptou-se ao mercado editorial publicando uma coisa aqui outra acolá. Casou-se em 1960 com Lyda Arco, com quem viveu até sua morte, não tendo herdeiros. Long faleceu em 1994 quando tinha 90 anos sendo foi enterrado no cemitério Woodlawn de Nova York empobrecido, mesmo com a longa carreira literária. Seus fãs pagaram as despesas funerárias num valor de US$ 3000.
Clark
Ashton Smith (1893-1961)
Dos três "Mosqueteiros da Weird Tales" (Lovecraft, Robert Howard e Smith - dizem que embora fosse assíduos correspondentes nunca se conheceram), Clark A. Smith foi o único com grande reconhecimento em vida, diferentemente de hoje em dia, embora reconhecido talento pela crítica é desconhecido do grande público. Aqui classifiquei-o como amigo/correspondente de Lovecraft, mas bem poderia ser classificado como seu precursor, dada a extrema admiração de Lovecraft por ele. Nasceu em Long Valley - Califórnia. Deixou de estudar cedo e catava frutas ou trabalhava como lenhador para tentar apaziguar os problemas financeiros da família. Auto definiu-se como poeta, embora com "The Black Cat " em 1910 foi animado por amigos a entrar em contato com George Sterling ("discípulo" de Ambrose Bierce) que reconheceu seu talento e o tutelou, vindo a ser conhecido através deste e de sua escrita original. Após 1935 e 1937 com as mortes de sua mãe e pai e também por esta data o suicido de Sterling deixou de escrever prolificamente como antes, dedicando-se mais a escultura e pintura onírica (que tanto admirava Lovecraft). Casou-se em 1954 com Carolyn Jones Dorman. Em 1961 trabalhando como jardineiro sofreu um enfarto, recuperou-se, mas faleceu meses depois.
Rheinhart
Kleiner (1892–1949)
Poeta da impressa amadora um dos mais antigos correspondentes de Lovecraft. Publicou o primeiro trabalho crítico a poesia de Lovecraft que se conhece: "A Note on Howard P. Lovecraft’s Verse" (United Amateur, Março de 1919). Se conheceram pessoalmente em julho de 1916 quando Kleiner visitou Providence, visitas que foram retribuídas quando Lovecraft morou em Nova York (1924-1926). Ambos faziam parte nesta cidade do "Karem Club" (um clube literário em que Lovecraft não criou, mas foi lider, incluia nomes como o próprio Kleiner, Everett McNeil e James F. Morton. Quando HPL chegou introduziu novos membros ao clube, especialmente Frank Belknap Long, George Kirk e Arthur Leeds). Após a partida de Lovecraft de trem a Providence perdeu contato com o mesmo, só restabelecendo em 1936-37.
Outras Personalidades:
Harry K. Brobst: Amigo de Lovecraft (nasceu em 1909), admirador das histórias da WT, através de um pedido ao editor Farnsworth Wrigth, entreou em contato por carta com Lovecraft e foi cordialmente respondido, começando uma grande amizade. Brobst foi assistido em 1932 pela psiquiatria do Hospital Butler em Providence e por conta disto sempre acompanhava Lovecraft nas suas viagens. Brobst visitou constantemente Lovecraft nas etapas finais de sua vida neste mesmo hospital. Escreveu cartas a R.H. Barlow comentado o caso de Lovecraft e dizia que quando questionado o mesmo dizia "As vezes a dor é insuportável". Brobst e sua mulher organizaram o funeral de Lovecraft. Posteriormente foi acadêmico da Brown University e de outras instituições. Publicou um livro de memórias "An Interview with Harry K. Brobst" .
Franklin Chase Clark: Aqui está alguém muito querido por
Lovecraft, e talvez desconhecido para os leitores deste site. Sr.
Clark foi marido de
Lillian D. Phillips Clark, tia de HPL. Foi um
grande médico e cientista, tendo estudado em Nova York e
regressado a Providence, onde trabalhava no Hospital de Rhode Island
e como médico forense do Dpto. de Polícia. Com a morte do pai e do
avô do jovem Lovecraft, ele meio que se converteu em seu pai. Disse HPL
(S. L. 1.38) que suas primeiras prosas e versos se viram
beneficiadas pelos conselhos do Dr. Clark. Faleceu em 1915 de
hemorragia cerebral. A ele Lovecraft homenageou em “An Elegy
on Franklin Chase Clark, M. D.” (Publicada no Evening News de
Prividence em 29 de Abril de 1915). O Dr. Eliu Whipple de “A Casa
Assombrada" (1924), o Dr. Gamell Angell do “O Chamado de Cthulhu” e o
Dr. Marinus Bicknell Willet de “O Caso de Charles Dexter Ward”
(1927), provavelmente estão inspirados no Dr. Clark; o que também
pode ser o caso do Dr. Henry Armitage de “O Horror de Duwich” (1928)
e o Dr. Nathaniel Wingate Peaslee do “A Noite dos Tempos” (1934-35).
W. Paul Cook: Presidente da UAPA e também diretor da NAPA
(rival). Foi, junto a amigos grande incentivador de Lovecraft para
que reiniciasse sua escrita com labor em 1917. Publicou alguns
títulos de Lovecraft e intentou publicar outros que por força de
circunstâncias outras não deram certo. Foi um dos poucos que
acreditaram no seu talento.
Clifford M. Eddy: Amigo de Lovecraft nativo de Providence,
também membro dos clubes amadores de literatura. Dava longos
passeios inspiradores com Lovecrft.
E. Hoffman Price: Escritor pulp
e correspondente de Lovecraft entre 1932-37 ao qual Lovecraft muito
tinha respeito e fez questão de manter contato sempre. Conheçeu
pessoalmente Lovecraft em Nova Orleans por conta de um telegrama de
Robert E. Howard que dizia que o mesmo se encontrava nesta cidade
numa de suas viagens. Lovecraft passou pelo menos uma semana em Nova
Orleans, a maior parte do tempo em companhia de Price. Price por sua
vez visitou Lovecraft em 1933 no apto. de Lovecraft nos meses de
junho e julho. Loveman mesmo com a morte de Lovecraft continuou no
mercado das pulp, só adotando tendência a romances no posterior
fim da época das pulps magazines.
Winifred V. Jackson: Escritora amiga de Lovecraft e que
muitos estudiosos dizem que teve um relacionamento com ele.
Samuel Loveman: Poeta,
dramaturgo e grande amigo de Lovecraft. Loveman fazia parte do "Karem
Club". Visitou Providence em 1929, visitas seguidas de excursões a
Boston, Salem e Marblehead. Após a morte de Lovecraft
o mesmo se revoltou furiosamente contra posturas dele com relação ao
anti-semitismo (algo típico a época). Destruiu a maioria das cartas
de ambos (o mesmos que fez a esposa de Lovecraft, quando não fez
menção em voltar o relacionamento, certa vez).
Everett McNeil: Autor de livros infantis, membro do "Karem
Club" de Nova York. Foi um dos primeiros a recomendar que
Lovecraft escrevesse para a Weird Tales. Morreu devido ao Tacoma. Em
uma carta a James F. Morton, Lovecraft escreve uma emocionada
memória a McNeil. E segundo consta, o verso: "Pombas
Mensageiras"
dos "Fungos de Yuggoth" é sobre sua morte e dos lugares
precários que vivia em pobreza.
Maurice Winter Moe: Escritor amador e
acadêmico, amigo de Lovecraft, ensinava inglês na
"Appleton" (Wisconsin) e posterior na "West Division School of
Milwaukee". Conhecia Lovecraft desde 1914 e mantiveram copiosa
correspondência durante toda a vida de Lovecraft. Formou círculos
literários com outros autores e HPL. Em um círculo literário de seus
alunos da High School de Appleton, Lovecraft em 1917 conheçe Alfred
Galpin (um de seus correspondentes, vice presidente da UAPA em
1917). A Moe dedica vários de seus trabalhos, entre eles o poema “On
the return of Maurice Winter Moe, Esq., to the Pedagogical Profesión”.
No conto "O Inominável", é claro no personagem Joel Manton a
inspiração da figura de Moe. O viu pela primeira vez em 10 de agosto
de 1923 quando Moe visita a Providence, mais tarde foi a Boston de
ônibus onde conheceu Moe e sua família. No dia seguinte HPL leva Moe,
Albert A. Sandusky e Edward H. Cole a uma excursão a Marblehead numa
caminhada de mais de três horas em que o grupo não agüenta a resolve
voltar com Lovecraft. Por volta de 1934 Moe pediu a Lovecraft a
contribuição de um artigo seu para um trabalho com seus alunos, ao
que Lovecraft escreveu com muita honra um artigo sobre a influência
da arquitetura romana na americana. Lovecraft achou que o manuscrito
havia se perdido, porém uma transcrição foi encontrada e publicada
pela Arkham House anos depois. Moe visitou Providence pela última
vez em 1936 aproveitando que seu filho, por conta de questões
profissionais, se encontrava por lá. Após a morte de Lovecraft
publicou a memória “Howard Phillips Lovecraft: The Sage of
Providence” (O-Wash-Ta-Nong 1937).
James F. Morton: Amigo de Lovecraft e
membro do "Karem Club", graduado em Harwad em 1892. Em 1896-97 foi
nomeado presidente na NAPA. Conheceu Lovecraf pela primeira vez
quando defendeu
Charles D. Isaacson dos ataques
de Lovecraft sobre uma discussão político-literária na NAPA.
Lovecraft simpatizou com o mesmo mantendo intensa correspondência
vindo a conhecer ele pessoalmente em 1922 em Nova York onde foram
membros do "Karem Club". Visitou Lovecraft diversas vezes
entre 1923-24 em Providence. Em 1924 se embrenharam num negócio de
revisão que nasceu morto "The Crafton Revision Service". Porém em
1925 Morton consegue uma ótima posição de diretor do museu Paterson
(Nova Jersey) e tentou levar Lovecraft para lá, mas sem sucesso.
Lovecraft visitou Morton em Paterson e encontrou uma cidade
desagradável. Podemos ver parte disso em "O Chamado de Cthulhu"
quando o narrador fala que encontrava-se visitando um amigo
estudioso em Paterson (Nova Jersey), geólogo e diretor do museu
local. Após a morte de Lovecraft escreveu uma breve memória "A Few Memories" (Olympian, Outono. de 1940).